

A busca por tratamentos médicos eficazes e inovadores é uma constante na área da saúde. Nesse contexto, a ozonioterapia surgiu como uma abordagem controversa e em constante debate.
Essa terapia envolve a aplicação de ozônio, uma forma de oxigênio altamente reativo, com o objetivo de tratar várias condições médicas.
No entanto, enquanto alguns defendem seus benefícios, outros questionam sua eficácia e segurança.

Ozionoterapia é autorizada
A ozonioterapia é uma terapia alternativa que utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio para tratar uma variedade de condições médicas.
O ozônio (O3) é uma molécula composta por três átomos de oxigênio, em comparação com a molécula de oxigênio regular, que consiste em dois átomos (O2).
Acredita-se que o ozônio tenha propriedades terapêuticas devido à sua capacidade de aumentar o fornecimento de oxigênio para os tecidos e suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias.
Existem várias modalidades de ozonioterapia, incluindo:
– Auto-hemoterapia
Este provavelmente é o método mais controverso, sendo repreendido pela ANVISA e pela comunidade médica. Nesse procedimento, 50 a 100 ml de sangue do paciente são retirados com uma seringa. O sangue, então, é tratado com ozônio e oxigênio e, depois, devolvido ao paciente com uma injeção intramuscular.
– Insuflações retais
Uma mistura de ozônio e oxigênio é introduzida pelo reto e absorvida pelo intestino. É utilizado em diversos problemas de saúde, como colite ulcerosa.
– Injeção intramuscular
A mistura ozônio e oxigênio também aparece nesse método. A injeção é de até 10 ml e geralmente nas nádegas.
– Aplicação intra-arterial e intravenosa direta
Nesse procedimento, uma seringa é usada para injetar, lentamente, uma mistura de ozônio e oxigênio.
– Água ozonizada
O gás ozônio é borbulhado na água, que é usada externamente para lavar feridas, queimaduras e infecções de pele com cicatrização lenta.
– Injeção intra-articular
Novamente o gás ozônio é borbulhado na água, porém, nesse método, a mistura é injetada entre as articulações.
– Ensacamento de ozônio
Esse procedimento é indicado principalmente no tratamento de úlceras nas pernas, gangrena, infecções por fungos, queimaduras e feridas de cicatrização lenta. Para isso, um plástico especial é colocado no entorno da área que será tratada. Por último, a mistura de ozônio/oxigênio é bombeada para dentro do saco e absorvida pela pele.
– Óleo ozonizado
O óleo ozonizado é mais convencional nos tratamentos de feridas e infecções da pele.
Os defensores da ozonioterapia afirmam que ela pode ter vários benefícios, incluindo:
Aumento da Oxigenação: Acredita-se que a ozonioterapia aumente a quantidade de oxigênio nas células, o que pode melhorar o metabolismo e o funcionamento dos tecidos.
Propriedades antimicrobianas: O ozônio teria propriedades antimicrobianas, o que poderia ajudar no tratamento de pessoas hospitalizadas e feridas.
Anti-Inflamatório: O ozônio poderia reduzir a inflamação, o que poderia ser reforçado para condições inflamatórias crônicas.
Melhoria da Circulação Sanguínea: A terapia poderia melhorar a circulação sanguínea e, consequentemente, o suprimento de oxigênio para os tecidos.
Apesar dos possíveis benefícios defendidos, a ozonioterapia também é alvo de controvérsias, tais como:
Falta de Evidência Científica Sólida: Muitos dos benefícios atribuídos à ozonioterapia não são sustentados por evidências científicas sólidas. A maioria dos estudos é de pequena escala, mal controlada e carece de padrões rigorosos de pesquisa.
Riscos e Efeitos Colaterais: A ozonioterapia envolve riscos potenciais, incluindo a possibilidade de embolia gasosa, inflamação dos pulmões e outros efeitos colaterais graves.
Regulamentação e Padronização: A ozonioterapia não é amplamente regulamentada em muitos países e não há padronização clara de práticas ou dosagens.
Desencorajamento pela Comunidade Médica: Muitas organizações médicas e especialistas não endossam a ozonioterapia devido à falta de vigilância e ao potencial risco à saúde.
A ozonioterapia é uma abordagem de saúde controversa que continua a gerar debates acalorados na comunidade médica e científica.
Embora alguns defendam benefícios notáveis, é importante destacar que a falta de evidências sólidas, a falta de regulamentação e os riscos potencialmente tornam essa terapia uma opção incerta e desafiadora.
A Ozonioterapia foi permitida em todo o território nacional através da Lei nº. 14.648/2023, mencionando apenas que “qualquer profissional de saúde de nível superior” possa realizar os serviços.
Desse modo, subentende-se que médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais de saúde podem prestar os serviços.
Contudo, cada Conselho Profissional deve regulamentar a prática, sendo que até o momento temos conhecimento de que os Conselhos de Farmácia (Resolução CFF nº. 685/2020) e Enfermagem (Parecer Normativo nº. 001/2020) regulamentaram a prática, exigindo diversos requisitos que devem ser respeitados.
Já o Conselho de Medicina encara a prática como meramente experimental.
De toda sorte, todo procedimento que seja invasivo somente poderá ser realizado em ambiente controlado, como clínicas e hospitais.
Desse modo, entendemos que os únicos tipos de Ozonioterapia que podem ser realizados por farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros são os seguintes: Água ozonizada, Ensacamento de ozônio e Óleo ozonizado, desde que haja licenciamento sanitário para isso.
Sucesso!
Assista nosso vídeo sobre o assunto: